O papel tradicional dos hotéis, que antigamente serviam apenas como locais para pernoitar e guardar bagagens entre passeios, está mudando radicalmente na forma como os brasileiros planejam suas viagens. Em 2026, as opções de hospedagem se tornam centrais na definição dos destinos e das experiências dos turistas.
Essa mudança é um dos principais achados do relatório Olhar Braztoa 2026, um estudo anual realizado pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo. O levantamento analisa tendências macroeconômicas e comportamentais do setor com base nas informações coletadas das principais empresas associadas.
O estudo revela que o mercado está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela demanda por hotéis-conceito, glampings (acampamentos de luxo com infraestrutura sofisticada), estabelecimentos em edifícios históricos e acomodações integradas à natureza. Essas alternativas têm em comum a proposta de oferecer uma experiência única, combinando um design inovador com a valorização da cultura local.
“Os hotéis deixaram de ser vistos apenas como locais para dormir e passaram a ser elementos centrais, muitas vezes o principal motivo para a escolha da viagem. Isso reflete um novo perfil de viajante, mais exigente e que valoriza experiências completas, bem elaboradas e com identidade própria”, afirma Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa.
Essa tendência está diretamente ligada ao crescimento do conceito de slow travel (viagens com ritmo desacelerado) e à busca por descompressão urbana. Roteiros antes focados em múltiplas escalas e deslocamentos frequentes agora são substituídos por estadias mais longas em um único local, reduzindo o estresse logístico e priorizando o bem-estar emocional dos viajantes.
No aspecto econômico, essa mudança representa uma oportunidade estratégica para a hotelaria brasileira. Estabelecimentos que conseguem unir arquitetura e gastronomia à cultura local oferecem um valor agregado maior. O conceito contemporâneo de luxo, segundo o estudo, se afasta da ostentação material e se baseia em princípios de exclusividade e impacto positivo nas comunidades anfitriãs.
“Observamos uma redefinição clara: menos superficialidade e mais significado”, comenta Figueiredo. “Os viajantes desejam vivenciar algo singular, que não poderia ocorrer em nenhum outro lugar. A hospedagem desempenha um papel crucial nessa experiência. Quando vinculada a um propósito claro, essa vivência se torna ainda mais valiosa.”
Novos padrões de consumo do turista
A evolução do comportamento dos consumidores também se manifesta nos hábitos de compra. O levantamento indica que os turistas estão mais atentos aos preços e buscam otimizar a relação custo-benefício; no entanto, demonstram maior disposição para investir em serviços premium desde que ofereçam personalização elevada, previsibilidade e segurança nos contratos.
A segurança na elaboração de roteiros ganhou importância diante da sobrecarga de estímulos digitais. Embora as avaliações online continuem influenciando as decisões dos consumidores, itinerários práticos e pré-definidos são considerados ativos essenciais pelos clientes.
A relevância do setor na economia é notável. Em 2024, as operadoras associadas à Braztoa movimentaram R$ 22,09 bilhões e transportaram mais de 9,8 milhões de passageiros pelo Brasil.
Esse avanço nas novas diretrizes comportamentais reforça o reposicionamento institucional da entidade, que agora atua como uma organização carbono neutro, compensando as emissões geradas por suas operações e promovendo práticas sustentáveis no mercado turístico nacional.
O relatório completo do Olhar Braztoa 2026 pode ser acessado na íntegra aqui.
O artigo Hotelaria ganha protagonismo e redefine a jornada do viajante foi publicado inicialmente em Catraca Livre.
