Coxilha Rica: um tesouro escondido na Serra Catarinense

Na Serra Catarinense, há uma extensa área que foge do circuito turístico convencional, onde se encontram cidades renomadas como Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra e São Joaquim. Um dos lugares que merece ser explorado é a Coxilha Rica.

Situada no município de Lages e se estendendo até Capão Alto, essa região possui uma rica história e abrange 1,1 mil km² de campos nativos a mais de mil metros de altitude. O ambiente é caracterizado por gramíneas e araucárias, formando um patrimônio cultural e histórico que preserva o relevo do planalto serrano como poucas áreas no Sul do Brasil.

A Coxilha Rica é atravessada pelo Caminho das Tropas, uma rota histórica que conectava Viamão, no Rio Grande do Sul, a Sorocaba, em São Paulo, durante o período colonial. Os principais vestígios dessa época são os corredores de taipas – muros construídos com pedras empilhadas manualmente por escravizados e indígenas.

Essas estruturas somam mais de 100 quilômetros e eram utilizadas para demarcar propriedades, evitando a mistura do gado dos fazendeiros com o dos tropeiros. Hoje em dia, as taipas ainda marcam o horizonte visual de quem percorre as estradas de terra da Coxilha Rica.

A herança desse período pode ser vista em trechos preservados do Caminho das Tropas. Além do valor histórico, a geografia da área é cortada pelos rios Pelotas e Pelotinhas, proporcionando condições favoráveis para atividades ao ar livre e aventuras. O terreno é ideal para rotas off-road 4×4 que permitem explorar estradas de difícil acesso, além de trilhas que relembram a Guerra dos Farrapos.

A economia local permanece influenciada pela forte tradição pecuária, mantendo vivas as práticas culturais típicas da Serra Catarinense. No entanto, o turismo rural está ressurgindo entre os viajantes em busca de experiências autênticas e paisagens deslumbrantes.

Muitas fazendas centenárias na região preservam sua arquitetura original e recebem visitantes interessados na rotina rural, no convívio com os animais e no silêncio característico do campo. Na gastronomia local, o pinhão brilha em pratos como entrevero e paçoca, assim como o queijo serrano, que conquistou o certificado de Identificação Geográfica em 2020.

O novo luxo rural na Coxilha Rica

Em 2021, o turismo na Coxilha Rica ganhou um novo impulso com a abertura do Cerro Azul Hotel Fazenda. Localizado em Capão Alto, este empreendimento está situado em uma propriedade com mais de duzentos anos de história, adquirida inicialmente em 2009 para expandir a pecuária.

Com apenas 48 acomodações distribuídas em três categorias (Celeste, Cobalto e Royal), o hotel combina uma arquitetura rústica moderna com a preservação de estruturas originais como galpões e mangueiras.

O projeto foi concebido pela empresária Soraia Taufenbach Presa, que se dedicou a cada detalhe – desde a decoração até os enxovais dos quartos. O foco do hotel é atrair um público que busca conforto aliado à vivência da vida rural sem abrir mão das comodidades modernas.

O Cerro Azul opera em uma fazenda ativa de 700 hectares onde há criação de gado Nelore, cavalos Quarto de Milha e ovelhas. A infraestrutura oferece aos hóspedes diversas experiências que vão desde imersão na rotina produtiva até opções de lazer como piscina aquecida, spa, sauna e hidromassagem com vista para os campos.

Além disso, conta com restaurante, academia, espaço infantil e um observatório projetado para contemplação das estrelas devido à baixa poluição luminosa da serra.

Para aqueles que preferem uma hospedagem mais íntima, a Fazenda Lua Cheia é uma excelente escolha. Com poucas acomodações disponíveis, proporciona uma experiência familiar semelhante à sensação de estar na casa da avó.

Aventura off-road na Coxilha Rica

Para quem aprecia adrenalina e poeira, a Coxilha Rica se torna um verdadeiro parque temático para os entusiastas do off-road. As expedições organizadas pela Tropas Off Road, sob liderança do empresário Caio Lucena, ressaltam a vocação da região para atividades radicais.

Essas aventuras têm como objetivo guiar veículos 4×4 por rotas desafiadoras no planalto que levam a locais onde o terreno acidentado impede a passagem de carros comuns. A iniciativa visa conectar o entusiasmo pelo off-road ao conhecimento histórico utilizando antigos caminhos tropeiros como principais trajetos dos comboios.

Lucena promove roteiros que priorizam tanto a imersão na cultura local quanto a preservação ambiental. As expedições cruzam estradas rurais e passam por fazendas que preservam algumas das taipas mais bem conservadas da serra. Ao final dos passeios os participantes podem saborear pratos típicos enquanto desfrutam das vistas montanhosas.

A logística dessas viagens exige preparo técnico e conhecimento sobre as condições climáticas locais que podem mudar rapidamente afetando as rotas. O trabalho desenvolvido por Lucena ajuda a solidificar a região como um destino atrativo para turistas aventureiros oferecendo segurança aos viajantes numa vasta área de 1,1 mil km² sem sinal celular ou infraestrutura imediata disponível.

Bodegão: ícone da Coxilha Rica

O Bodegão, conhecido por seu caráter rústico e acolhedor tornou-se um importante ponto de encontro na Coxilha Rica. À frente deste estabelecimento está Helena do Amaral Eberle – carinhosamente chamada tia Lena – figura tão famosa quanto o próprio local. Inaugurado em 1986 com o objetivo inicial de oferecer produtos à comunidade local transformou-se ao longo dos anos em restaurante e pousada.

A mudança ocorreu naturalmente quando tia Lena começou a abrir sua casa para viajantes oferecendo refeições e hospedagem numa época onde havia escassas opções disponíveis. Essa prática ganhou notoriedade ao longo dos últimos vinte anos atraindo cada vez mais visitantes. Atualmente recebe turistas variados especialmente cavaleiros,motoqueiros,jipeiros entre outros exploradores da região.Começa aqui um contato direto com esta cultura tão rica.A hospedagem é simples mas organizada possuindo quatro quartos coletivos com capacidade para até trinta pessoas.

By Seriedade News

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